Bem-estar mensurável e propósito avançam nas empresas e neurociência começa a transformar o ‘S’ do ESG

Referência em propósito e sócio-fundador da Nortez, Flávio Negrão afirma que empresas começam a tratar bem-estar, confiança e propósito como indicadores estratégicos de cultura e governança

Por HABLA FM
6 Min

Flávio Negrão é palestrante e especialista em propósito e protagonismo, cofundador da NORTEZ. Em 2025, representou o Brasil no MAP – Meaning and Purpose Summit, em Portugal.

O avanço das pautas de sustentabilidade e governança levou empresas a desenvolver indicadores cada vez mais precisos para medir impactos ambientais e práticas de compliance. No entanto, o chamado “S” do ESG, relacionado ao aspecto social, ainda é considerado um dos pilares mais difíceis de mensurar nas organizações.

Pesquisas de clima anuais, índices genéricos de satisfação e avaliações episódicas continuam sendo os principais instrumentos utilizados por muitas empresas para monitorar bem-estar, engajamento e experiência dos colaboradores. Para especialistas, esse modelo começa a perder espaço diante do avanço da neurociência aplicada ao ambiente corporativo.

A discussão envolve o uso de indicadores capazes de observar fatores ligados à confiança, segurança psicológica, propósito e saúde emocional como elementos estratégicos de cultura organizacional e governança.

O ‘S’ do ESG ainda enfrenta desafios de mensuração

Enquanto metas ambientais e indicadores financeiros costumam apresentar métricas objetivas, o eixo social do ESG ainda depende, em muitos casos, de percepções subjetivas e avaliações pontuais.

Esse cenário tem levado empresas e especialistas a defenderem modelos mais contínuos de acompanhamento do bem-estar corporativo, capazes de identificar sinais que antecedem problemas ligados a absenteísmo, rotatividade e queda de engajamento.

Para Flávio Negrão, referência em propósito e sócio-fundador da Nortez, o desafio não está apenas em cuidar das pessoas, mas em compreender como essa experiência pode ser acompanhada de forma mais consistente.

“Durante muito tempo, o bem-estar foi tratado como benefício ou discurso institucional. O que vemos agora é um movimento para transformá-lo em indicador estratégico de cultura e governança”, afirma.

Neurociência passa a influenciar decisões sobre cultura e liderança

O avanço da neurociência aplicada ao trabalho tem ampliado o debate sobre como ambientes corporativos influenciam comportamento, colaboração e tomada de decisão.

Entre os temas mais observados estão neurotransmissores associados ao funcionamento humano, como dopamina e ocitocina.

A dopamina está relacionada à percepção de propósito, progresso e recompensa. Ambientes com clareza de objetivos, reconhecimento e evolução percebida tendem a favorecer maior ativação desses circuitos, associados à motivação e capacidade cognitiva.

Já a ocitocina está ligada à confiança e aos vínculos sociais. Ambientes com segurança psicológica e relações de confiança costumam favorecer colaboração, compartilhamento de conhecimento e menor desgaste relacional.

Segundo estudos conduzidos pelo neuroeconomista Paul Zak, colaboradores inseridos em ambientes de alta confiança podem apresentar níveis menores de estresse e melhores indicadores de produtividade e engajamento.

Bem-estar deixa de ser pauta isolada e passa a dialogar com resultado

A discussão sobre bem-estar corporativo também começa a ganhar espaço fora das áreas de recursos humanos.

Empresas têm observado que indicadores ligados à saúde emocional, qualidade da liderança e experiência dos colaboradores apresentam relação direta com retenção de talentos, inovação, produtividade e satisfação de clientes.

Para Flávio Negrão, esse movimento representa uma mudança importante na forma como organizações enxergam pessoas e desempenho.

“Propósito sem experiência concreta tende a ficar apenas no discurso”, afirma. “As empresas começam a perceber que cultura organizacional não se sustenta apenas em campanhas ou valores escritos. Ela aparece na experiência cotidiana das pessoas.”

Segundo o especialista, métricas mais frequentes e acompanhamento contínuo tendem a oferecer leitura mais precisa da realidade organizacional do que pesquisas realizadas apenas uma vez por ano.

O papel da liderança e os limites éticos da mensuração

Embora o tema desperte interesse crescente, especialistas alertam que a mensuração de bem-estar biológico exige protocolos éticos rigorosos.

Dados biométricos e informações relacionadas à saúde pertencem aos colaboradores e dependem de consentimento explícito, anonimização e regras claras de governança.

Ao mesmo tempo, a discussão vai além do uso de tecnologia.

Para Flávio, o principal fator de influência sobre bem-estar continua sendo a qualidade da liderança.

“Nenhuma ferramenta substitui a relação entre líder e liderado”, afirma. “A tecnologia pode apoiar diagnósticos e gerar dados relevantes, mas confiança, pertencimento e desenvolvimento continuam sendo experiências humanas.”

Nortez acompanha avanço do tema nas organizações

O crescimento do debate sobre neurociência, cultura e experiência humana também acompanha a atuação da Nortez Desenvolvimento Humano em projetos ligados a liderança, desenvolvimento humano e propósito organizacional.

Segundo a consultoria, empresas têm buscado cada vez mais integrar indicadores humanos às estratégias de negócio, especialmente em temas relacionados a segurança psicológica, saúde mental, engajamento e desenvolvimento de lideranças.

“Propósito é a vida em movimento”, afirma Flávio Negrão. “Mas movimento precisa de direção. E direção exige referências que permitam entender se aquilo que a organização diz valorizar está, de fato, sendo vivido pelas pessoas.”
 

Sobre a Nortez

A Nortez Desenvolvimento Humano é uma consultoria especializada em desenvolvimento humano, planos de cargos e remuneração estratégica, liderança corporativa e clima e cultura organizacional. Atua com palestras, jornadas corporativas, programas de desenvolvimento, estruturação organizacional e experiências humanas voltadas ao novo mercado, competências do futuro do trabalho, segurança psicológica, inteligência emocional, propósito e liderança adaptativa.
Para mais informações: nortez.com.br


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