“Barriga de cerveja” existe mesmo? Entenda por que o álcool favorece o acúmulo de gordura abdominal.
Muito além das calorias da bebida, hábitos associados ao consumo e alterações metabólicas ajudam a explicar o aumento da gordura visceral, considerada uma das mais perigosas para a saúde.
Dr. Rafael Fantin — endocrinologista e metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
Popularmente conhecida como “barriga de cerveja”, a gordura abdominal associada ao consumo frequente de álcool não é apenas uma expressão popular. Segundo especialistas, ela realmente existe e está diretamente relacionada ao acúmulo de gordura visceral, um tipo de gordura que se instala ao redor dos órgãos e aumenta significativamente os riscos metabólicos e inflamatórios do organismo.
Embora outras bebidas alcoólicas também possam favorecer o ganho de peso, a cerveja costuma ser mais associada a esse quadro por questões culturais e comportamentais. Por ser uma bebida leve, gelada e socialmente consumida em grandes volumes, ela favorece o excesso calórico de forma mais frequente e muitas vezes vem acompanhada de petiscos ricos em gordura, sódio e ultraprocessados.
Segundo o endocrinologista e metabologista Dr. Rafael Fantin, o impacto da cerveja vai além da quantidade de calorias ingeridas. “O álcool altera diretamente o metabolismo e interfere na forma como o corpo utiliza gordura como fonte de energia. Como o organismo entende o álcool como uma substância potencialmente tóxica, ele prioriza sua metabolização e reduz a queima de gordura, favorecendo o acúmulo principalmente na região abdominal”, explica.
Além disso, a cerveja pode conter carboidratos residuais e glúten, que em algumas pessoas favorecem processos inflamatórios silenciosos e alterações metabólicas. Outro fator importante é o efeito do álcool no cérebro, reduzindo o controle inibitório e aumentando a resposta à recompensa, o que facilita episódios de exagero alimentar.
“O álcool também pode aumentar hormônios relacionados à fome e diminuir a percepção de saciedade. Isso explica por que o consumo de cerveja costuma vir acompanhado de beliscos constantes ao longo do encontro social”, destaca o especialista.
Segundo o Dr. Rafael Fantin, a gordura abdominal merece atenção porque não funciona apenas como um depósito de energia. Diferentemente da gordura subcutânea, ela possui atividade metabólica intensa e produz substâncias inflamatórias capazes de impactar o funcionamento de diversos órgãos.
“Essa gordura visceral favorece resistência à insulina, alterações hormonais, inflamação crônica e aumenta o risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e até alguns tipos de câncer”, afirma.
Outro efeito frequentemente observado é a redução da massa muscular. Isso acontece porque o álcool pode prejudicar mecanismos importantes relacionados à hipertrofia e manutenção muscular, alterando a composição corporal ao longo do tempo.
Apesar disso, o especialista reforça que o consumo moderado pode fazer parte da rotina sem necessariamente gerar grandes prejuízos metabólicos, desde que exista equilíbrio. “Mais importante do que demonizar a cerveja é entender o contexto do consumo. Controlar a quantidade, evitar exageros, alimentar-se adequadamente antes de beber, intercalar com água e manter hábitos saudáveis no dia a dia fazem diferença”, orienta.
Atividade física regular, sono de qualidade e controle do estresse também são fundamentais para reduzir o risco de ganho de gordura abdominal e preservar a saúde metabólica a longo prazo.
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Fonte: Dr. Rafael Fantin — endocrinologista e metabologista, especialista em saúde integrada, performance metabólica e nutrigenômica.
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