Por que o seu código genético pode ditar os cuidados com a pele no futuro?
Especialista discute a inovação da coleta de DNA para criar rotinas de skincare adaptadas a cada paciente, evitando o uso de produtos genéricos que não trazem resultados reais.
Dr. Fábio Gontijo
O mercado global de dermocosméticos personalizados está em franca expansão, com projeções de atingir a marca de 15 bilhões de dólares até o final de 2028, segundo dados da InsightAce Analytic. Esse crescimento reflete uma mudança profunda no comportamento do consumidor, que deixa de buscar fórmulas genéricas para investir em soluções baseadas em evidências biológicas. A grande inovação do setor reside na análise do DNA, que permite identificar predisposições a manchas, flacidez e sensibilidades antes mesmo que os sinais apareçam na superfície da pele.
A técnica consiste em uma coleta simples de material genético, geralmente feita através de um swab bucal, que revela variações específicas no genoma de cada indivíduo. Segundo o dermatologista Fábio Gontijo, essa abordagem elimina a tentativa e erro que costuma frustrar quem investe em cremes caros sem ver retorno. "Estamos saindo da era das recomendações de balcão para entrar na era da medicina de precisão aplicada à estética. O código genético não mente sobre o que a sua barreira cutânea realmente precisa para se manter saudável", afirma o médico.
Com o mapeamento em mãos, é possível determinar se um paciente tem maior facilidade em degradar o colágeno ou se possui uma resposta inflamatória exacerbada ao sol. Isso permite que a prescrição seja cirúrgica, focando em ativos que realmente farão a diferença no longo prazo. Para o especialista, o diferencial não está apenas no produto, mas na inteligência por trás dele. "Muitas vezes, uma pessoa usa um hidratante pesado acreditando ter pele seca, quando, na verdade, sua genética aponta para uma deficiência específica de proteção que exige uma composição completamente diferente", explica.
Além da eficácia, o skincare baseado no DNA promove um consumo muito mais consciente e sustentável. Ao saber exatamente quais substâncias o organismo absorve melhor, o desperdício de produtos e o acúmulo de frascos no armário diminuem drasticamente. O dermatologista ressalta que essa personalização extrema é o caminho para evitar reações adversas e alergias comuns em tratamentos padronizados. "Não se trata apenas de vaidade, mas de saúde preventiva. O foco é tratar a causa biológica do envelhecimento e não apenas remediar as rugas já instaladas", pontua.
A democratização desses testes já começa a ser sentida nos consultórios brasileiros, onde a análise laboratorial se tornou uma ferramenta de diagnóstico aliada aos procedimentos tradicionais. Embora a tecnologia pareça futurista, ela já é uma realidade acessível que otimiza o tempo e o investimento do paciente. Fábio reforça que o futuro do autocuidado é individualizado, onde cada fórmula é tão única quanto a impressão digital de quem a utiliza.
Dessa forma, o setor se despede das promessas milagrosas de "tamanho único" para abraçar uma rotina fundamentada na ciência. O uso de algoritmos biológicos para ditar o que passamos no rosto garante que o tratamento seja, de fato, um investimento na longevidade celular. "O grande ganho aqui é a previsibilidade. Quando entendemos como a pele se comporta internamente, conseguimos manter sua vitalidade por muito mais tempo, respeitando a biologia individual acima de qualquer tendência passageira", conclui o profissional.
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Fonte: Dr. Fábio Gontijo — Dermatologista
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