Mitos e verdades sobre o tratamento de feridas.
Saiba por que deixar a lesão "respirar" ou usar produtos caseiros interrompe a cura e aumenta os riscos de infecções graves.
Dra. Micheline Sarquis
Tratar uma ferida em casa parece uma tarefa simples, mas a desinformação ainda é o maior obstáculo para a recuperação total da pele. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as infecções associadas ao manejo inadequado de lesões atingem milhões de pessoas anualmente, elevando drasticamente os índices de hospitalização e complicações graves. O hábito de aplicar substâncias sem orientação técnica ou acreditar que o corpo resolverá tudo sozinho ignora a complexidade biológica do tecido humano, que exige um equilíbrio rigoroso de umidade e proteção para se regenerar.
Muitos pacientes chegam ao consultório com quadros agravados por acreditarem que a lesão precisa respirar. Dra. Micheline Sarquis, estomaterapeuta especializada em feridas crônicas e fundadora do instituto que leva seu nome, explica que expor o machucado ao ar livre é um erro comum que retarda a cura. Segundo a especialista, o ressecamento da área interrompe a migração das células que fecham a ferida, além de deixar uma porta aberta para bactérias oportunistas.
"Diferente do que dita o senso comum, uma ferida que seca e forma aquela crosta grossa, a famosa casquinha, está na verdade encontrando mais dificuldade para cicatrizar. O ambiente ideal para a recuperação é o meio úmido e controlado, que preserva os fatores de crescimento celular e evita que o tecido novo sofra traumas a cada troca de curativo", afirma a profissional. Ela ressalta que a proteção adequada funciona como uma barreira inteligente, mantendo a temperatura estável e acelerando o processo natural do organismo.
Outro perigo invisível reside no uso de receitas caseiras ou produtos de despensa, como açúcar, pó de café e até certas ervas. Embora essas práticas façam parte da cultura popular, elas representam um risco altíssimo de contaminação e podem causar reações inflamatórias que destroem o tecido saudável. A estomaterapeuta adverte que o que parece uma solução barata pode resultar em meses de tratamento especializado para reverter danos que seriam evitáveis com o uso de coberturas tecnológicas e antissépticos apropriados.
A especialista enfatiza que cada lesão possui uma identidade única e exige um olhar clínico apurado para determinar o melhor protocolo. "Não existe uma fórmula mágica que sirva para todos; o que funciona para um corte superficial pode ser desastroso para uma úlcera vascular ou uma ferida diabética. O foco deve ser sempre a limpeza rigorosa com soro ou soluções específicas e a escolha de curativos que tratem a causa da estagnação daquela pele", pontua a fundadora do instituto.
O caminho para uma cicatrização segura passa, obrigatoriamente, pela educação do paciente e de seus familiares. Abandonar mitos antigos em favor da ciência não apenas reduz o tempo de sofrimento e o custo financeiro, mas previne desfechos drásticos como amputações ou sepse. Investir em tecnologia assistiva e no acompanhamento de um profissional qualificado é a única garantia de que a pele retomará sua função de proteção com integridade e saúde.
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Fonte: Dra. Micheline Sarquis | Estomaterapeuta especializada em feridas crônicas | Fundadora do Instituto Micheline Sarquis |
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