Espetáculo “Vendo Tudo” celebra 18 anos da Cia. Asfalto de Poesia com circulação gratuita por São Paulo
O que, afinal, estamos consumindo? Tempo, afeto, presença?
Fotos: Cris Leonel | Arte: Assimétrica - Plataforma Criativa Independente
No solo inédito “Vendo Tudo”, a palhaça Clowndette Maria transforma o espaço público em uma instigante banca de mercadorias invisíveis, convidando o público a refletir sobre os valores que orientam as relações contemporâneas. O espetáculo também marca os 20 anos de trajetória da atriz Maria Silvia do Nascimento e integra o projeto “Palhaçadas Paulistanas”, que celebra os 18 anos da reconhecida Cia. Asfalto de Poesia.
Realizado com o apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo para a Cidade de São Paulo, o projeto evidencia a importância das políticas públicas culturais ao garantir circulação gratuita e descentralizada, levando o circo-teatro a diferentes territórios e ampliando o acesso à arte na capital.
O espetáculo: poética, humor e provocaçãoCom direção de Rhena de Faria, “Vendo Tudo” apresenta uma vendedora ambulante singular que ocupa a cena com sua banca inusitada. Em vez de produtos convencionais, Clowndette oferece experiências: "abraços grátis", "puxões de orelha de cortesia" e canções improvisadas que surgem no encontro com o público.
A obra articula elementos da palhaçaria clássica com uma abordagem crítica e contemporânea. Em um mundo onde tudo parece mensurável e negociável, o espetáculo provoca: qual é o valor do riso? E do encontro? Ao tensionar essas questões com leveza e sensibilidade, “Vendo Tudo” revela as contradições de uma sociedade que transforma sentimentos em mercadoria, ao mesmo tempo em que reafirma o afeto como experiência fundamental.
18 anos de trajetória: arte, cidade e resistênciaA circulação do espetáculo integra as ações comemorativas da Cia. Asfalto de Poesia, formada por Maria Silvia do Nascimento, Amanda Massaro e Marcela Sampaio. Ao longo de sua trajetória, o grupo consolidou uma pesquisa artística voltada à ocupação do espaço público, tornando-se referência na palhaçaria feminina em São Paulo.
“A palhaça é uma figura política. Ela tensiona estruturas, desafia o autoritarismo e afirma o direito de existir com humor e liberdade”, destaca Maria Silvia, atriz e doutoranda em Artes pela UNESP.
O projeto “Palhaçadas Paulistanas” amplia seu alcance para além das apresentações, promovendo oficinas de circo-teatro e rodas de conversa. As experiências vividas ao longo dessas ações serão incorporadas ao acervo do Centro de Memória do Circo, contribuindo para a preservação e valorização da história da palhaçaria — especialmente a feminina — na cidade.
Circulação – Apresentações realizadasAo longo do mês de janeiro, “Vendo Tudo” percorreu diferentes espaços culturais da cidade de São Paulo, passando pelo Centro Cultural da Penha, CEU Alvarenga, Centro Cultural Grajaú, Biblioteca Municipal Belmonte e CEU Freguesia, alcançando públicos diversos e fortalecendo o encontro entre arte e território. Essa circulação foi viabilizada pelo apoio da 9ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo para a Cidade de São Paulo, reforçando o papel fundamental do investimento público na democratização do acesso cultural.
A trajetória já realizada evidencia a potência do espetáculo e seu diálogo direto com o público, projetando um futuro promissor, no qual “Vendo Tudo” possa seguir circulando, ocupando novos espaços e ampliando seu impacto artístico e social.
FICHA TÉCNICACriação e Atuação: Maria Silvia do Nascimento (Clowndette Maria)
Direção: Rhena de Faria
Realização: Cia. Asfalto de Poesia
Produção: Sem Paredes Cultural e Borda Cultural
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Informações e redes sociais: @ciaasfaltodepoesia
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