COP 30 e o motor da bioeconomia
Por Miguel Angelo Pricinote, fundador e coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade
Arquivo pessoal/Miguel Angelo Pricinote
A COP 30 Brasil Amazônia, realizada em Belém do Pará recentemente, foi palco para as nações debateram o futuro da transição energética. Contudo, a agenda climática se materializa nas cidades, onde o transporte rodoviário responde por cerca de 12% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) no Brasil. Para a Região Metropolitana de Goiânia (RMG), o desafio da mobilidade se tornou uma grande oportunidade de desenvolvimento. Este tema exige uma política robusta de descarbonização que, em Goiás, estabelece-se como a principal âncora para o desenvolvimento de uma nova matriz industrial.
A urgência de alinhar Goiânia aos objetivos da COP 30 exigiu capital e ousadia para promover a renovação integral de sua frota. Nesse sentido, o desafio de substituir um sistema envelhecido, com mais de 1,2 mil ônibus e motorização antiquada Euro III diesel, foi superado com o novo plano de investimento do governo estadual, que contemplou a substituição por 60 ônibus elétricos, 500 a biometano e 940 a diesel Euro VI. Isso porque o Euro III é notoriamente poluente, emitindo altos níveis de Óxidos de Nitrogênio (NOx) e Material Particulado (PM), o que tem impacto direto na saúde pública e na qualidade de vida urbana.
Essa transição representa um ganho ambiental massivo, uma vez que a substituição resulta em uma redução ambiental estimada de mais de 80% de PM e um ganho líquido na redução de centenas de milhares de toneladas de gás carbônico. Essa mudança para o Euro VI/Biometano/Elétrico representa um salto de décadas na qualidade do ar, cumprindo um imperativo de saúde pública. Além disso, a decisão de migrar a frota da RMG transcende o benefício ambiental, servindo como uma poderosa ferramenta que aposta no setor de transportes como âncora para impulsionar a indústria de biometano. Dessa forma, a garantia de que o Estado será um comprador de porte significativo funciona como catalisador para o mercado destravar a produção local.
Projetos de alto porte, como os R$ 2,4 bilhões da biorrefinaria Inpasa e investimentos de outras grandes empresas, como Jalles Machado e Albioma, são um feedback direto dessa política de sinalização de mercado. Pois, a criação de uma demanda cativa incentiva a produção de biometano para atender não só o transporte, mas também outros setores de alto consumo, como, por exemplo, dos data centers da Amazon e Google, também interessados em energia limpa.
A agenda da COP 30 exige coerência, ousadia e visão de futuro e a RMG alinha sua política de mobilidade com os mais altos padrões de sustentabilidade ao conciliar dois pilares: investimento na descarbonização da frota, por meio da escolha estratégica pelo biometano, e desenvolvimento econômico via estímulo industrial. Essa dupla estratégia não apenas promove um salto de décadas na qualidade do ar, mas estabelece um modelo de referência para a bioeconomia e a mobilidade urbana sustentável no Brasil.
Miguel Angelo Pricinote é fundador e coordenador técnico do Mova-se Fórum de Mobilidade
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