Relatório internacional aponta que publicidade impressa permanece nas residências por até uma semana e gera múltiplas interações

Dados do JICMAIL revelam que materiais entregues em domicílio são revisitados pelos moradores, superando a volatilidade das mídias digitais e impulsionando o tráfego para canais de venda online.

Por VITORIA MOTOYAMA
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O mais recente relatório "The Year in Mail", publicado pelo Joint Industry Committee for Mail (JICMAIL), autoridade global em métricas de correio e publicidade direta, traz novos dados sobre o comportamento do consumidor frente à mídia impressa. O estudo analisa a jornada de folhetos, catálogos e correspondências comerciais dentro dos lares, desafiando a percepção de que a digitalização eliminou a relevância dos materiais físicos nas estratégias de marketing.

Segundo o levantamento, a durabilidade da publicidade impressa dentro de casa é significativamente superior à exposição de anúncios digitais. Os dados indicam que um item promocional entregue na porta permanece na residência por uma média de cinco a sete dias. Durante esse período, o material não é apenas visto no momento da entrega, mas tende a ser revisitado pelos moradores, mantendo a marca ou a oferta em evidência no ambiente doméstico por uma semana inteira.

A tangibilidade do material é apontada como um fator decisivo para essa retenção. "A materialidade do impresso cria uma janela de oportunidade maior para a memorização da mensagem. Diferente de um anúncio que desaparece ao rolar a tela, o folheto permanece no ambiente familiar, servindo como um lembrete visual constante da oferta ou serviço, o que potencializa a decisão de compra", analisa Anderson Pereira, sócio proprietário da Aliança Distribuição.

O relatório também destaca a frequência de interação com o material. Em média, cada item de publicidade é manuseado e observado cerca de três vezes antes de ser descartado ou arquivado. Isso demonstra que serviços de panfletagem porta a porta conseguem gerar múltiplos "impactos" com um único investimento de distribuição, uma métrica de frequência que, no ambiente digital, exigiria a compra de diversas impressões de anúncios.

Para que essa retenção ocorra, o estudo sugere que o conteúdo e a segmentação geográfica são fundamentais. O planejamento logístico e o entendimento das nuances da panfletagem são variáveis que determinam se o material será lido imediatamente ou guardado para consulta futura. A relevância da oferta para o perfil demográfico daquela residência é o que dita a longevidade do impresso sobre a mesa ou na gaveta do consumidor.

Outro ponto relevante levantado pelo JICMAIL é o efeito "drive-to-web". O documento mostra que a mídia física atua como um catalisador para o tráfego digital. Uma parcela significativa dos consumidores utiliza os impressos como gatilho para visitar o site da empresa, buscar mais informações online ou escanear QR Codes, estabelecendo uma jornada de compra híbrida que começa no portão de casa e termina no e-commerce ou no aplicativo.

No contexto do varejo e de serviços locais, essa dinâmica se mostra resiliente mesmo em economias altamente digitalizadas. O estudo reforça que, para a comparação de preços e o planejamento de compras semanais, parte considerável da população ainda recorre aos encartes físicos como fonte primária de informação, citando a facilidade de leitura e a menor fadiga visual em comparação às telas.

O panorama apresentado pelo JICMAIL conclui que a integração entre o físico e o digital é a tendência dominante. Ao invés de competir, os canais se complementam: a distribuição física garante a atenção focada e a presença no lar, enquanto os canais digitais facilitam a conversão final, validando a eficácia contínua da mídia impressa no mix de comunicação contemporâneo.

 

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FONTE: https://www.jicmail.org.uk/data/