Queda de cabelo: entenda quando é normal e quais são os sinais de alerta

Especialista da SBCD explica as principais causas da queda capilar, os tipos mais comuns e os cuidados diários que ajudam a proteger os fios e destaca por que a queda excessiva merece atenção

Por LARISSA BORGES
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Créditos: Freepik

São Paulo, novembro de 2025 – Você sabia que ter uma queda de 80 a 120 fios de cabelo por dia é totalmente normal? A queda capilar faz parte do ciclo natural dos fios e acontece com homens e mulheres de todas as idades.

No entanto, quando essa queda se torna intensa, volumosa ou acompanhada de falhas, o corpo pode estar indicando que algo não vai bem. Afinal, a saúde dos fios é um reflexo da saúde geral do corpo. Se não investigada, pode evoluir para uma queda significativa de volume, impactar a autoestima e até atrasar o diagnóstico de condições que precisam de cuidado.

Entre as causas mais frequentes estão as alterações hormonais, comuns durante o ciclo menstrual, menopausa, distúrbios da tireoide ou até mesmo relacionadas ao uso de anticoncepcionais. A deficiência de nutrientes como ferro, vitaminas do complexo B, vitamina D e zinco também compromete o crescimento e a força dos fios.

O estresse contínuo e os transtornos emocionais estão entre os principais fatores. Além disso, doenças inflamatórias ou infecciosas, como COVID-19, dengue e outras condições sistêmicas, podem intensificar a queda temporária de cabelo. Segundo a dermatologista e tricologista Anna Cecília Andriolo, especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, “qualquer situação que abale o organismo, seja física ou emocional, pode alterar o ciclo natural dos fios e desencadear períodos de queda mais intensa”.

Entre os diagnósticos mais comuns está a alopecia androgenética, caracterizada pelo afinamento progressivo dos fios. Nos homens, ocorre principalmente nas entradas e na região da coroa. Nas mulheres, acomete o topo da cabeça, deixando o couro cabeludo mais visível. Outro quadro frequente é o eflúvio telógeno, que pode surgir após períodos de estresse, doenças, pós-parto, uso de medicamentos, canetas emagrecedoras, especialmente pela perda de peso rápida, desequilíbrio nutricional e a ação farmacológica de determinados princípios ativos. Ao contrário da alopecia androgenética, o eflúvio telógeno é reversível com o tratamento adequado.

Também é comum o diagnóstico de alopecia areata, caracterizada por falhas arredondadas no couro cabeludo. Trata-se de uma doença autoimune que pode afetar sobrancelhas, cílios e outras áreas do corpo, causando desde pequenas falhas até a queda total dos cabelos. 

Casos de queda pós-parto e pós-COVID também são frequentes e podem aparecer meses depois do acontecimento inicial. “Além desses quadros, existem alopecias cicatriciais primárias, doenças que provocam um processo inflamatório capaz de levar à atrofia das raízes responsáveis pela produção dos fios. Esses casos vêm aumentando e muitos ainda não recebem diagnóstico adequado”, alerta a especialista membro da SBCD. 

A SBCD reforça a importância do diagnóstico precoce para definir o tratamento mais adequado. “É fundamental observar mudanças no volume ou na intensidade da queda. Quando a queda se torna acentuada, ela pode ter diferentes origens. Nessas situações, o dermatologista especializado é o profissional preparado para realizar o diagnóstico e indicar o tratamento mais seguro, considerando fatores como idade, sexo, histórico clínico e possíveis desencadeadores”, explica Anna Cecília Andriolo, dermatologista e tricologista, membro da SBCD. 

Além da investigação médica, alguns cuidados diários ajudam a proteger os fios: evitar água muito quente, reduzir o uso de secador e chapinha em altas temperaturas, não prender o cabelo com força, escolher produtos adequados ao tipo de fio, limitar químicas agressivas e manter uma alimentação rica em proteínas e vitaminas. 

É recomendado sempre procurar um dermatologista quando a queda se prolonga por semanas, surgem falhas visíveis ou os fios ficam mais finos e frágeis. Outros sinais de alerta incluem coceira intensa, dor no couro cabeludo, vermelhidão, descamação ou aumento repentino da queda após infecções ou perda de peso rápida. Como ressalta a especialista, “quanto mais cedo o paciente busca avaliação, maiores são as chances de identificar a causa e iniciar um tratamento eficaz”.
 

Sobre a SBCD

Fundada em 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) é referência nacional na formação, aperfeiçoamento e atualização de especialistas em cirurgia dermatológica. A entidade promove educação médica continuada, incentiva a pesquisa científica e desenvolve ações voltadas à segurança do paciente e à prática ética na especialidade.


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