Novembro Azul: prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas

Especialista do Hospital São José destaca a importância dos exames regulares, dos hábitos saudáveis e do cuidado integral com a saúde do homem

Por BERNARDO BRUNO
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O mês de novembro marca uma das campanhas de saúde mais importantes do calendário: o Novembro Azul, movimento internacional dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, com foco na prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata. No Brasil, mais de 70 mil novos casos da doença devem ser registrados anualmente, com cerca de 15 mil mortes por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Esse dado representa 42 vidas perdidas por dia para um tipo de câncer que, quando identificado precocemente, tem altas chances de cura. Por isso, os especialistas reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença.

De acordo com o urologista Dr. Manoel Pombo, do Hospital São José, o câncer de próstata é uma doença que tem origem, principalmente, genética, mas também está relacionada a fatores comportamentais e de estilo de vida. “Cerca de dois terços das causas estão ligadas à herança genética, mas um terço vem de hábitos que podem ser modificados, como obesidade, sedentarismo, tabagismo e alimentação rica em gorduras de origem animal”, explica. Ele ressalta que a combinação de fatores hereditários e ambientais influencia diretamente o risco individual de desenvolver a doença.

O rastreamento do câncer de próstata deve começar a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco, com realização, a cada um ou dois anos, de consulta médica, toque retal e exames de sangue, buscando sinais específicos da patologia (PSA). Já aqueles com maior risco de desenvolver a doença precisam de acompanhamento mais rigoroso e, em alguns casos, iniciar os exames mais cedo. “Quanto mais fatores de risco o paciente apresenta, mais personalizada deve ser a conduta médica. Cada caso precisa ser avaliado de forma individual”, orienta o especialista.

Entre os principais fatores de risco, o Dr. Manoel Pombo destaca o histórico familiar como o mais relevante. Homens com pai, irmãos, tios ou avôs que tiveram câncer de próstata apresentam uma probabilidade significativamente maior de desenvolver a doença, especialmente se houver mais de um parente afetado. Outro grupo que requer atenção especial é o dos homens afrodescendentes, que não apenas têm incidência mais alta da doença, como também tendem a desenvolver tumores de maior agressividade. A obesidade também é um fator preocupante, pois está associada a formas mais severas do câncer. Além disso, o sedentarismo, o consumo excessivo de álcool e gorduras animais e o tabagismo completam a lista de comportamentos que aumentam o risco.

Apesar da importância da prevenção, muitos homens ainda resistem em procurar o urologista, o que contribui para o diagnóstico tardio e para o aumento da mortalidade. O médico lembra que essa resistência vai além dos tabus culturais, envolve também questões de acesso aos serviços de saúde. Segundo ele, é necessário mudar a percepção de que a responsabilidade é apenas do paciente. “Enquanto continuarmos culpando o homem por não se cuidar, sem oferecer condições adequadas de atendimento, o cenário não vai mudar. É preciso interesse público e políticas efetivas de prevenção”, reforça.

O urologista lembra ainda que o Novembro Azul deve ser encarado como uma campanha de conscientização mais ampla, voltada à saúde integral do homem, e não apenas ao câncer de próstata. Ele alerta que doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC), são as principais causas de morte masculina no Brasil e têm forte relação com o sedentarismo, a obesidade e a má alimentação.

Além disso, o especialista destaca outras condições que merecem atenção. A hiperplasia prostática benigna, comum a partir dos 50 anos, pode causar grande desconforto ao urinar e, em casos mais graves, até impedir completamente a micção, exigindo uso de sondas. Já o câncer de testículo, mais frequente em homens jovens entre 20 e 40 anos, requer vigilância e autoexame periódico. Há também o câncer de pênis, uma doença quase totalmente prevenível por meio de bons hábitos de higiene e cuidado íntimo, mas que ainda é pouco discutida.

Para o urologista do Hospital São José, a chave está na educação e no incentivo ao cuidado contínuo. “O Novembro Azul não deve ser apenas um mês de alerta, mas um ponto de partida para que os homens adotem uma rotina de autocuidado e prevenção. Tratar doenças é caro, mas muito mais caro é perder vidas que poderiam ser salvas com ações simples e de baixo custo”, conclui o Dr. Manoel Pombo.


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