Inteligência Artificial na educação: aliada ou risco no aprendizado?

Especialista da Universidade Positivo aponta caminhos para o uso consciente da IA na preparação para o Enem

Por JOCELINE ALEMAR | MÁQUINA DA NOTÍCIA
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Ferramentas de Inteligência Artificial (IA) vêm transformando a forma como os estudantes se preparam para provas e exames como o Enem. Plataformas como ChatGPT, Gemini e DeepSeek já fazem parte da rotina de muitos jovens, mas o uso dessas tecnologias exige discernimento. É o que explica Luiz Gustavo Lara, psicólogo, docente e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Positivo (UP).
Segundo o especialista, a IA pode ser uma grande aliada nos estudos, desde que utilizada como ferramenta de apoio — e não como substituta do raciocínio humano. “Essas plataformas permitem que o estudante tenha um interlocutor, quase como um colega de estudos virtual, com quem pode dialogar, tirar dúvidas e aprofundar um tema. Isso ajuda especialmente quem tem dificuldade de concentração. O cuidado é não tomar a IA como fonte de informação, mas como meio de reflexão sobre conteúdos validados e seguros”, orienta.
Para o docente, o aprendizado verdadeiro exige esforço intelectual e envolvimento ativo do estudante. “Delegar o pensar para a IA é o mesmo que ligar uma esteira e não subir nela. A tecnologia pode facilitar o processo, mas não substitui o exercício do pensar, que é o que realmente gera aprendizagem”, compara Lara.
Além do uso individual, o professor alerta que as instituições de ensino também precisam refletir sobre o papel ético e pedagógico dessas ferramentas. “A IA não possui autoria; ela sintetiza conteúdos já existentes. Isso exige cuidado tanto de professores, que podem se apropriar inadvertidamente de ideias de terceiros, quanto de alunos, que podem usar textos gerados por IA sem compreender o conteúdo. O princípio é simples: usar a tecnologia para ajustar a forma, mas não para substituir o conteúdo”, reforça.
Outro ponto destacado é o impacto da IA na equidade educacional. Sem regulação adequada e sem preparo para seu uso consciente, a tecnologia pode acentuar desigualdades. “Se o estudante usa a IA como atalho, em vez de instrumento de aprendizagem, perde tempo e oportunidades. É preciso investir o tempo em aprender, não em simular aprendizado. A IA deve ser um trampolim para outro patamar do aprender — não um caminho que leve a retrocessos cognitivos”, conclui.
Com ética, curiosidade e esforço intelectual, a Inteligência Artificial pode, de fato, tornar-se uma parceira na construção de um aprendizado mais dinâmico e significativo — inclusive na preparação para o Enem.

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