As múltiplas faces do trauma: Compreendendo, identificando e curando as cicatrizes invisíveis da alma

O trauma é uma realidade inescapável da experiência humana

Por YARA ROCCA - ASSESSORA de IMPRENSA
6 Min

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O trauma é uma realidade inescapável da experiência humana, mas sua manifestação e impacto são tão diversos quanto os indivíduos que o vivenciam. Longe de ser um conceito singular, o trauma se desdobra em uma miríade de formas, deixando marcas profundas que afetam nossa saúde mental e bem-estar.
Os Diferentes Tipos de Trauma
É fundamental reconhecer que o trauma não se limita a grandes catástrofes. Existem diversos tipos, cada um com suas particularidades:
  • Trauma de Choque (Trauma com "T" maiúsculo): Resulta de eventos únicos e avassaladores que ameaçam a vida ou a integridade física, como acidentes graves, desastres naturais, assaltos, violência física ou sexual, e perda súbita de entes queridos. A intensidade do evento geralmente causa uma resposta de luta, fuga ou congelamento.
  • Trauma de Desenvolvimento (ou Relacional/Complexo): Este tipo de trauma se forma ao longo do tempo, em resposta a experiências adversas e repetitivas, especialmente na infância. Exemplos incluem negligência emocional ou física, abuso crônico (físico, emocional, sexual), abandono, bullying persistente e viver em um ambiente familiar caótico ou violento. Ele se enraíza nas relações interpessoais e pode afetar profundamente a formação da identidade, a autoestima e a capacidade de se relacionar de forma saudável. A psicóloga Cristina Laubenheimer destaca como experiências negativas na infância, como comentários desqualificadores ("Poxa, mas você é incapaz mesmo, né?") podem gerar crenças limitantes que acompanham o indivíduo pela vida adulta.
  • Trauma Vicário (ou Secundário): Afeta pessoas que testemunham ou são expostas repetidamente a eventos traumáticos sofridos por outros. É comum em profissionais de saúde, socorristas, terapeutas, jornalistas e cuidadores, que absorvem o sofrimento alheio.
  • Trauma Coletivo/Comunitário: Refere-se a eventos traumáticos que afetam um grande grupo de pessoas ou uma comunidade inteira, como guerras, epidemias, genocídios ou desastres ambientais. As consequências podem ser sentidas por gerações.
A subjetividade do trauma é crucial: o que para um indivíduo pode ser um evento traumático, para outro pode ser apenas um contratempo. A estrutura psicológica de cada pessoa, suas experiências de vida e seu sistema de suporte desempenham um papel crucial na forma como um evento traumático é processado e integrado. O conceito de pertencimento emerge como um pilar fundamental; crianças que não recebem amor e cuidado adequados podem se sentir isoladas, desenvolvendo baixa autoestima e a crença de que "nada de bom é para elas".
Caminhos para a Cura: Abordagens Terapêuticas Inovadoras
Felizmente, existem abordagens terapêuticas eficazes que auxiliam na superação do trauma, permitindo que os indivíduos processem as memórias dolorosas e recuperem o bem-estar.
1. EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares):
O EMDR é uma abordagem psicoterapêutica integrativa, altamente eficaz no tratamento de traumas e outras experiências adversas. Desenvolvida pela Dra. Francine Shapiro, baseia-se na ideia de que os sintomas do trauma resultam de memórias não processadas. O terapeuta guia o paciente através de movimentos oculares bilaterais (ou outras formas de estimulação bilateral, como toques ou sons), enquanto o paciente se concentra na memória traumática. Acredita-se que esses movimentos ajudam a ativar o sistema de processamento de informações do cérebro, facilitando a dessensibilização da memória perturbadora e seu reprocessamento para uma resolução adaptativa.

2. Brainspotting:
Desenvolvida pelo Dr. David Grand, o Brainspotting é uma técnica neurobiológica que identifica, processa e libera fontes de trauma e sofrimento emocional e corporal. A premissa é que "onde você olha afeta como você se sente". Pontos específicos no campo visual (brainspots) estão ligados a ativações neurais relacionadas a experiências traumáticas e emoções. Ao focar o olhar em um brainspot específico, o terapeuta ajuda o paciente a acessar e processar diretamente as emoções e sensações corporais associadas ao trauma, facilitando uma cura profunda e rápida.

Outras abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) focada no trauma, Terapia de Liberação Somato Emocional, Terapia do Apego e Terapia Sistêmica também são valiosas e podem ser integradas ao tratamento. O importante é a necessidade de "dar suporte para a pessoa" e validar a singularidade de cada dor, reconhecendo que "cada um sente de um jeito", como enfatiza a psicóloga Teresa Cristina.
Compreender o trauma em suas diversas nuances é o primeiro passo para a cura. Reconhecer as cicatrizes invisíveis que moldam nossas vidas, tanto as profundas quanto as aparentemente superficiais, permite buscar o suporte necessário para desatar os nós do passado e construir um futuro de maior bem-estar e pertencimento.
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Sobre a psicóloga Cristina Laubenheimer
 

Cristina Laubenheimer é Psicologa Clinica. especializada em Terapia Cognitivo Comportamental; em terapia sistêmica de casal e familia; Terapeuta de trauma formada em EMDR e Brainspotting, Formação em DBT(Terapia Comportamental Dialetica), Mindfullness. Coach Pessoal e Profissional. Ela também é Consultora e Palestrante de Estresse.  

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FONTE: Yara Rocca