A armadilha do workaholic: produtividade sem saúde mental é mito corporativo
Renata Livramento alerta para o risco de romantizar o excesso de trabalho e defende equilíbrio como chave para resultados
Arquivo Pessoal/Divulgação
A cultura do esforço extremo e da dedicação sem limites é muitas vezes exaltada como virtude, mas ultimamente começou a mostrar seu lado sombrio. Enquanto algumas empresas ainda veem o workaholismo (“vício em trabalhar”) como sinônimo de comprometimento, a realidade mostra que produtividade sem saúde mental é um mito corporativo que cobra seu preço, em silêncio.
Estudos recentes no Brasil e no mundo demonstram que jornadas longas e ambientes de pressão crescente já afetam corpos, cérebros, relações e desempenho. Um levantamento do INSS e do Observatório de Segurança e Saúde do Trabalho aponta que, em 2024, foram 472.328 licenças médicas concedidas por transtornos mentais. Esse foi o maior número da última década, representando um crescimento de 68% em relação a 2023.
Quando o workaholismo é adotado como modelo, os custos aparecem: queda de produtividade sustentada, absenteísmo por saúde mental, rotatividade alta, desgaste de talentos e impacto na inovação (porque pessoas exaustas criam menos, ousam menos, arriscam menos). Individualmente, o risco é de adoecer física e mentalmente: insônia, doenças associadas ao estresse crônico, redução do bem-estar, prejuízo nas relações pessoais.
Por que esse mito persiste
Renata Livramento aponta algumas razões centrais pelas quais o mito de que “produtividade exige sacrifício pessoal” ainda é amplamente aceito no ambiente de trabalho. Uma delas é a valorização cultural, e corporativa, da disponibilidade constante, como se trabalhar mais fosse automaticamente sinal de comprometimento. Além disso, os sinais iniciais de exaustão, como fadiga, irritabilidade e queda na criatividade, muitas vezes são ignorados ou tratados como fases normais do trabalho.
Outro fator importante é a ausência de políticas organizacionais que incentivem pausas, estabeleçam limites claros de jornada, promovam o descanso e apoiem lideranças no cuidado com a própria saúde mental. Há ainda mitos persistentes, como “quem reclama é fraco” ou “tem que aguentar”, que seguem presentes no discurso interno de muitas empresas, reforçando uma cultura que normaliza o esgotamento.
Caminhos para uma produtividade saudável
Para Renata, a produtividade real se constrói com base em saúde mental, não à custa dela. Algumas ações que ela recomenda:
- Estabelecer limites claros de jornada, inclusive para lideranças: definir quando “o expediente termina”;
- Promover pausas, descansos e desligamentos reais do trabalho (sem notificações, sem demandas fora de horário);
- Treinar lideranças para identificar sinais de desgaste — e para que elas próprias sejam submetidas ao cuidado emocional;
- Implementar programas de bem-estar organizacional que vão além de campanhas temporárias — incluir suporte psicológico, diálogo aberto, revisão de metas, flexibilidade.
Saiba mais sobre o trabalho da Renata Livramento: renatalivramento.com.br | @renata.livramento
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