Engenharia em crise: por que apenas 12% dos jovens sonham em ser engenheiros?
Pesquisa da CNI revela desinteresse crescente pela engenharia entre os jovens brasileiros; especialista alerta para a perda de uma geração capaz de unir lógica, razão e pensamento crítico
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A recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) acendeu um sinal de alerta: apenas 12% dos jovens brasileiros demonstram interesse em seguir a profissão de engenheiro. O dado, além de preocupante, revela uma mudança cultural profunda, a engenharia, que já simbolizou inovação, progresso e status intelectual, parece ter perdido o fôlego entre as novas gerações.
Para o engenheiro, filósofo e escritor Pedro de Medeiros, o desinteresse reflete não apenas um cenário econômico instável, mas também uma transformação na forma como a sociedade percebe o valor do raciocínio lógico e do pensamento racional.
“A engenharia é uma das expressões mais puras do pensamento lógico e racional. Ela traduz ideias em realidade, une cálculo e criatividade, estrutura e imaginação. Quando os jovens se afastam dela, estamos, na verdade, nos afastando de uma forma de pensar que construiu o mundo moderno”, analisa Medeiros.
A pesquisa da CNI ainda aponta que profissões ligadas à tecnologia, gestão e criação digital vêm ganhando espaço entre os jovens. No entanto, para Medeiros, essa mudança de foco não precisa significar o declínio da engenharia, e sim uma oportunidade de reconectar a técnica à filosofia e ao pensamento crítico.
“A filosofia e a engenharia compartilham uma raiz comum: a busca pela razão. Os grandes pensadores, de Aristóteles a Descartes, foram, antes de tudo, engenheiros da mente. O raciocínio matemático e o rigor lógico são pontes entre o mundo das ideias e o mundo físico. Quando unimos essas duas visões, formamos profissionais completos, capazes de compreender e transformar o real”, afirma o autor.
Medeiros destaca ainda que a perda de interesse pela engenharia pode ter impactos diretos no futuro do país, especialmente em setores estratégicos como infraestrutura, energia e tecnologia industrial.
“Sem engenheiros, não há pontes, usinas, sistemas ou cidades inteligentes. Mas, acima de tudo, sem pensamento lógico, não há progresso humano. É urgente reencantar os jovens com a beleza da lógica e o poder de criar o novo a partir da razão”, conclui.
Com o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias, o papel do engenheiro, pensador e executor, pode se tornar ainda mais essencial. A crise de vocação, portanto, é um convite à reflexão: como inspirar uma nova geração a valorizar o raciocínio, a estrutura e o pensamento racional que moldaram a civilização?
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